21 mar 2016

Apague as luzes, mas acenda sua consciência

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Por Flávia Pini*

No dia 19 de março de 2016 a população mundial foi convidada, pelo décimo ano consecutivo, a desligar as luzes de suas casas, escritórios e pontos turísticos por uma hora. A iniciativa, conhecida como “Hora do Planeta”, vai além da redução de energia elétrica proporcionada pelo ato. O objetivo era promover a conscientização das pessoas em torno do aquecimento global e de suas consequências para o planeta nas próximas gerações.

 

A ação foi idealizada pelo escritório australiano da ONG WWF, uma das principais organizações de defesa do meio ambiente. A ideia rapidamente cresceu e se espalhou rapidamente em todo o mundo. Em 2015, por exemplo, 170 países participaram do ato, deixando no escuro mais de 1200 ícones mundiais, como o Opera House, na Austrália, a Torre Eiffel, na França, o Big Ben, na Inglaterra e as Pirâmides de Gizé, no Egito. No Brasil, 626 pontos turísticos de 185 municípios participaram no ano passado.

ehcoverTorre Eiffel antes e depois com suas luzes desligadas para marcar a Hora do Planeta em Paris, França
Imagem: KAMIL ZIHNIOGLU/ASSOCIATED PRESS

 

Evidentemente, o ato isolado de apagar as luzes por uma hora contribui pouco para reduzir o aquecimento global diante da quantidade de poluentes emitidos na natureza. Entretanto, a “Hora do Planeta” possui uma importante força simbólica: com grandes monumentos no escuro, há uma reflexão importante sobre o papel que a sociedade exerce nessa questão. Afinal, se não começarmos a reduzir o consumo de dióxido de carbono hoje, deixaremos o planeta Terra na escuridão em um futuro próximo.

Os críticos argumentam que essas campanhas têm pouca eficácia e representam a  expressão jocosa de “ativismo preguiçoso”. Porém, são essas iniciativas, com suas metáforas, que mobilizam e chamam a atenção de grande parte da população para as causas ambientais. Se hoje o meio ambiente e a sustentabilidade estão na discussão pública, é graças à divulgação e o alerta de diversas organizações não-governamentais entre as décadas de 70 e 80. Atos simbólicos, como abraçar uma árvore ou a célebre ação “estão tirando o verde da nossa terra”, da SOS Mata Atlântica, carregam consigo grandes debates.

Portanto, ao apagar as luzes na “Hora do Planeta”, o cidadão não só ajudou a economizar um pouco de energia elétrica, como também incluiu, ainda que de forma indireta, o aquecimento global em discussão. Agora, porém, é preciso seguir adiante, ligando sua consciência ambiental e inserindo a sustentabilidade em todos os hábitos do dia a dia. Só assim daremos o primeiro passo rumo à preservação do nosso planeta.

 

* Flávia Pini é Diretora de Marketing da GreenClick, empresa que contribui com a neutralização da emissão de CO2 no país